A solidão amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga… Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia… Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó solidão! Solidão, meu lar!… Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (…) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (…) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

“…Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos… Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília…“

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão…

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos… Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.

(Correio Popular, 30/06/2002)

3 Responses to “A solidão amiga”


  1. 1 Carrera 16 abril, 2008 às 0:32

    Oi Amigos, tudo bem com vocês?
    Achei esse artigo no site Montfort respondendo a um artigo do senhor Rubem Alves. Gostaria que ele respondesse, mas não achei na Folha o seu e-mail, mas se alguem puder endereçar esse artigo a ele eu agradeço.
    Segue abaixo o artigo
    Grato

    Pseudo-intelectual e analfabeto catequético ataca a família Cristã
    PERGUNTA
    Nome: Pe. Giovane Silva de Santana
    Enviada em: 20/03/2007
    Local: Luiziana – PR, Brasil
    Religião: Católica
    Escolaridade: Superior concluído
    Profissão: Professor

    ——————————————————————————–
    Laudetur Iesus Christus!!!!

    Caríssimo Professor Fedeli, Salve Maria!

    No Jornal Folha de São Paulo “on line”, na sessão “cotidiano”, de 20/03/2007, se lê:

    “RUBEM ALVES

    A praga
    Permitir o divórcio equivale a dizer: o sacramento é uma balela. Donde, a Igreja Católica é uma balela…

    É BOM atentar para o que o papa diz. Porta-voz de Deus na Terra, ele só pensa pensamentos divinos. Nós, homens tolos, gastamos o tempo pensando sobre coisas sem importância tais como o efeito estufa e a possibilidade do fim do mundo. O papa vai direto ao que é essencial: “O segundo casamento é uma praga!”
    Está certo. O casamento não pertence à ordem abençoada do paraíso. No paraíso não havia casamento. Na Bíblia não há indicação de que as relações amorosas entre Adão e Eva tenham sido precedidas pelo cerimonial a que hoje se dá o nome de casamento: o Criador, celebrante, Adão e Eva nus, de pé, diante de uma assembléia de animais, tudo terminando com as palavras sacramentais: “E eu, Jeová, vos declaro marido e mulher. Aquilo que eu ajuntei os homens não podem separar…”
    Os casamentos, o primeiro, o segundo, o terceiro, pertencem à ordem maldita, caída, praguejada, pós-paraíso. Nessa ordem não se pode confiar no amor. Por isso se inventou o casamento, esse contrato de prestação de serviços entre marido e mulher, testemunhado por padrinhos, cuja função é, no caso de algum dos cônjuges não cumprir o contrato, obrigá-lo a cumpri-lo.
    Foi um padre que me ensinou isso. Ele celebrava o casamento. E foi isso que ele disse aos noivos: “O que vos une não é o amor. O que vos une é o contrato”. Aprendi então que o casamento não é uma celebração do amor. É o estabelecimento de direitos e deveres. Até as relações sexuais são obrigações a ser cumpridas.
    Agora imaginem um homem e uma mulher que muito se amam: são ternos, amigos, fazem amor, geram filhos. Mas, segundo a igreja, estão em estado de pecado: falta ao relacionamento o selo eclesiástico legitimador. Ele, divorciado da antiga esposa, não pode se casar de novo porque a igreja proíbe a praga do segundo casamento. Aí os dois, já no fim da vida, são obrigados a se separar para participar da eucaristia: cada um para um lado, adeus aos gestos de ternura… Agora está tudo nos conformes. Porque Deus não enxerga o amor. Ele só vê o selo eclesial.
    O papa está certo. O segundo casamento é uma praga. Eu, como já disse, acho que todos são uma praga, por não ser da ordem paradisíaca, mas da maldição. O símbolo dessa maldição está na palavra “conjugal”: do latim, “com”= junto e “jugus”= canga. Canga, aquela peça pesada de madeira que une dois bois. Eles não querem estar juntos. Mas a canga os obriga, sob pena do ferrão…
    Por que o segundo casamento é uma praga? Porque, para havê-lo, é preciso que o primeiro seja anulado pelo divórcio. Mas, se a igreja admitir a anulação do primeiro casamento, terá de admitir também que o sacramento que o realizou não é aquilo que ela afirma ser: um ato realizado pelo próprio Deus. Permitir o divórcio equivale a dizer: o sacramento é uma balela. Donde, a igreja é uma balela… Com o divórcio ela seria rebaixada do seu lugar infalível e passaria a ser apenas uma instituição falível entre outras. A igreja não admite o divórcio não é por amor à família. É para manter-se divina…
    A igreja, sábia, tratou de livrar seus funcionários da maldição do amor. Proibiu-os de se casarem. Livres da maldição do casamento, os sacerdotes têm a suprema felicidade de noites de solidão, sem conversas, sem abraços e nem beijos. Estão livres da praga…”

    Veja que absurdos esse analfabeto catequético e pseudo intelectual publica!!!!!!!!!

    Digo Pseudo intelectual, pois um verdadeiro intelectual procura conhecer profundamente quem ou que pretende criticar. Esse néscio ridiculariza o relato bíblico, debochando da fé dos brasileiros:

    “Na Bíblia não há indicação de que as relações amorosas entre Adão e Eva tenham sido precedidas pelo cerimonial a que hoje se dá o nome de casamento: o Criador, celebrante, Adão e Eva nus, de pé, diante de uma assembléia de animais, tudo terminando com as palavras sacramentais: “E eu, Jeová, vos declaro marido e mulher. Aquilo que eu ajuntei os homens não podem separar…”

    Coitado! Ele nunca leu o relato bíblico do livro do Gênesis: “DEUS OS ABENÇOOU: FRUTIFICAI, DISSE ELE, E MULTIPLICAI-VOS, ENCHEI A TERRA E SUBMETEI-A” (Gn I, 28). Até mesmo a instituição natural da união monogâmico entre o homem e a mulher recebeu a bênção de Deus para produzir frutos!!!!! Muito mais ainda A PRESENÇA e o MILAGRE que Jesus realizou, NAS BODAS EM CANÁ DA GALILÉIA, ABENÇOOU os casais, numa união estável, indissolúvel, monogâmica entre pessoas de sexos diferentes.
    Esse pseudo-intelectual também desconhece que foi o próprio Jesus, na Bíblia, que disse: “DEUS OS FEZ HOMEM E MULHER. POR ISSO, DEIXARÁ O HOMEM PAI E MÃE E SE UNIRÁ A SUA MULHER E OS DOIS SERÃO UMA SÓ CARNE. ASSIM JÁ NÃO SÃO DOIS, MAS UMA SÓ CARNE. NÃO SEPARE, POIS , O HOMEM O QUE DEUS UNIU” (Mt X, 6-9), repetindo o que estava dito no Gênesis (Gn I,7
    e Gn 2,24).
    Como não tem vergonha de escrever tal asneira uma pessoa que pretende ser um importante colunista de um jornal que pretende ser Arauto da verdade?
    Como ele pôde afirmar que isso não está na Bíblia????
    Esse analfabeto catequético afirma que um padre lhe teria ensinado que a união sacramental é só um contrato comum, não é o amor que os une.
    Se isso for verdade, o que creio não ser , visto que quem escreveu mente ao afirmar que, na Bíblia, não há recomendações contra o divórcio e a favor da indissolubilidade do matrimônio, o padre deve ter se expressado mal. O matrimônio é um contrato sim, mas selado pelo Espírito Santo num amor CARITAS. E não numa paixão cega e burra, não num “fazer amor”, citado pelo autor dessa porcaria de artigo, que na verdade quis dizer “fazer sexo” apenas. Só sexo para esse senhor é “amor”.
    Além disso, verificamos a falta de lógica desse infeliz herege: num momento afirma que a Igreja considera a praga uma segunda união, depois, no final, diz que a Igreja considera o casamento em si uma praga, ao “proibir” os sacerdotes de casarem.
    Uma coisa o texto tem de bom: denuncia o projeto de destruição da família, empreendido pelos modernistas, por não terem mais a fé na teandricidade da Igreja: afirma a verdade de que a destruição do matrimônio, equivale à destruição do conceito de santidade da Igreja. O projeto dos modernistas que querem comunhão aos divorciados recasados, casamentos descartáveis é conseqüência da falta de fé na Igreja, no matrimônio dela com Cristo (Ef V). Isso o texto deixa claro.
    Peço, professor, que faça suas felizes e sábias apreciações e divida com os leitores do site a perplexidade que toma conta de mim ao ler e transcrever-lhe este mentiroso, e mal-escrito artigo, desse fulaninho Rubens Alves, que se revela analfabeto catequético e pseudo-intelectual.

    In Iesu et Maria,
    Padre Giovane

    ——————————————————————————–

    Enviada em: 20/03/2007

    Desculpe-me pelos erros de digitação. Esqueci, por vezes, alguns hífens em palavras como Pseudo-intelectual. E esqueci de fazer a distinção entre a bênção de Deus na intituição natural do Gênesis e na elevação à sacramento que Jesus fez em caná da Galiléia. Outra coisa, professor, equeci de criticar o Rubem Alves pelo fato de ele não saber que, no sacramento do matrimônio, os cônjuges são os celebrantes (Mais um sinal de analfabetismo catequético!).
    Se puder fazer essas críticas para mim, o senhor tem minha permissão para modificar meu texto, incluindo essas considerações se acha necessário.
    Desculpe-me mais uma vez pelos erros de digitação.
    Abraço, Deus te abençoe!!!
    Pe. Giovane.

    RESPOSTA

    Muito prezado e reverendo Padre Giovane,
    Salve Maria.

    O articulista vulgar da Folha de São Paulo, mais do que ignorância religiosa, revela seu profundo ódio à Igreja.
    Se Deus proibe o adultério e o concubinato é porque o casamento é santíssimo.
    Esse escrevente de ódio, ele sim, odeia o casamento que ele pretende substituir pela união momentânea e livre, sem nenhuma obrigação para com o outro e para com os filhos que forem gerados. Ele quer reduzir a união entre esposos ao nível da união fortuita de cão e cadela.
    E ainda pretende falar de amor, que ele reduz a ato físico.

    E se ele não crê na Igreja, por que se interessa no que ela professa?
    Acho muito significativo que esses jornalistas ateus se permitam blasfemar contra Deus e atacar a Igreja de modo tão soez, e depois venham falar em tolerância e respeito pelos sentimentos religiosos dos outros…
    Só os católicos não estão incluídos nesses “outros”.
    Por que ?
    Se um católico atacasse assim a macumba, ou o budismo, eles estrilariam falando em intolerância. Para com a Igreja Católica, eles não tem nem respeito e nem tolerância. É o que eles chamam de “liberdade de religião”…
    Esse ódio à única Igreja de Cristo assume, hoje, caráter internacional. Há uma campanha orquestrada internacionalmente contra o Papa Bento XVI e contra a Igreja Católica.
    Até há pouco tempo, na imprensa, só se faziam loas ao “bom Papa João” e ao compreensivo Paulo VI, porque eles haviam aberto à Igreja ao mundo moderno, isto é aos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, admitidos pelo Concílio Vaticano II.
    Por que Bento XVI não goza dessa simpatia da mídia?
    A campanha ideológica internacional movida hoje contra o Papa e contra a Igreja prepara uma próxima campanha de violência, porque sempre, na História, a perseguição violenta à Igreja — em nome da “Liberdade” — foi precedida por uma campanha de calúnias e de ataques soezes e ignorantes como a que se revela nesse miserável e baixo artiguete.
    Rezemos pelo Papa, Padre. E permaneçamos fiéis à Verdade eterna que só existe na Igreja Católica Apostólica Romana, fora da qual não há salvação, e só contra a qual existe esse ódio baixo, soez e infernal.

    In Corde Jesu, semper,
    Orlando Fedeli

    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=polemicas&artigo=20070320174558&lang=bra

  2. 2 Tina Santos 30 dezembro, 2008 às 15:42

    Existe um texto maravilhoso do Rubem que eu gostaria muito de ver publicado no Blog. Tenho visitado diariamente este espaço e me encantado muito, muito.
    Eis o texto abaixo:

    O afogado mais bonito do mundo

    (De novo o silêncio. E, de novo, a voz de outra mulher… “Essas mãos… Como são grandes! Que será que fizeram?” )

    SOU ANTROPÓFAGO. DEVORO livros. Quem me ensinou foi Murilo Mendes: livros são feitos com a carne e o sangue dos que os escreveram. Os hábitos de antropófago determinam a maneira como escolho livros. Só leio livros escritos com sangue. Depois que os devoro, deixam de pertencer ao autor. São meus porque circulam na minha carne e no meu sangue.
    É o caso do conto “O Afogado Mais Bonito do Mundo”, de Gabriel García Márquez. Ele escreveu. Eu li e devorei. Agora é meu. Eu o reconto.
    É sobre uma vila de pescadores perdida em nenhum lugar, o enfado misturado com o ar, cada novo dia já nascendo velho, as mesmas palavras ocas, os mesmos gestos vazios, os mesmos corpos opacos, a excitação do amor sendo algo de que ninguém mais se lembrava…
    Aconteceu que, num dia como todos os outros, um menino viu uma forma estranha flutuando longe no mar. E ele gritou. Todos correram. Num lugar como aquele até uma forma estranha é motivo de festa. E ali ficaram na praia, olhando, esperando. Até que o mar, sem pressa, trouxe a coisa e a colocou na areia, para o desapontamento de todos: era um homem morto.
    Todos os homens mortos são parecidos porque há apenas uma coisa a se fazer com eles: enterrar. E, naquela vila, o costume era que as mulheres preparassem os mortos para o sepultamento. Assim, carregaram o cadáver para uma casa, as mulheres dentro, os homens fora. E o silêncio era grande enquanto o limpavam das algas e liquens, mortalhas verdes do mar.
    Mas, repentinamente, uma voz quebrou o silêncio. Uma mulher balbuciou: “Se ele tivesse vivido entre nós, ele teria de ter curvado a cabeça sempre ao entrar em nossas casas. Ele é muito alto…”.
    Todas as mulheres, sérias e silenciosas, fizeram sim com a cabeça.
    De novo o silêncio foi profundo, até que uma outra voz foi ouvida. Outra mulher… “Fico pensando em como teria sido a sua voz… Como o sussurro da brisa? Como o trovão das ondas? Será que ele conhecia aquela palavra secreta que, quando pronunciada, faz com que uma mulher apanhe uma flor e a coloque no cabelo?” E elas sorriram e olharam umas para as outras.
    De novo o silêncio. E, de novo, a voz de outra mulher… “Essas mãos… Como são grandes! Que será que fizeram? Brincaram com crianças? Navegaram mares? Travaram batalhas? Construíram casas? Essas mãos: será que elas sabiam deslizar sobre o rosto de uma mulher, será que elas sabiam abraçar e acariciar o seu corpo?”
    Aí todas elas riram que riram, suas faces vermelhas, e se surpreenderam ao perceber que o enterro estava se transformando numa ressurreição: um movimento nas suas carnes, sonhos esquecidos, que pensavam mortos, retornavam, cinzas virando fogo, desejos proibidos aparecendo na superfície de sua pele, os corpos vivos de novo e os rostos opacos brilhando com a luz da alegria.
    Os maridos, de fora, observavam o que estava acontecendo e ficaram com ciúmes do afogado, ao perceberem que um morto tinha um poder que eles mesmos não tinham mais. E pensaram nos sonhos que nunca haviam tido, nos poemas que nunca haviam escrito, nos mares que nunca tinham navegado, nas mulheres que nunca haviam desejado.
    A história termina dizendo que finalmente enterraram o morto. Mas a aldeia nunca mais foi a mesma.

    Espero, de alguma forma, porder enviar outros textos, caso seja interessante.
    abraços,
    tina santos

  3. 3 Anônimo 26 março, 2014 às 0:20

    Eternamente apaixonada pelo Rubem!


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